sábado, 20 de fevereiro de 2010

Diversificação dos Espaços Educacionais

O século XXI é chamado de “século da sociedade do conhecimento”. Disso resulta que não podemos mais trabalhar só com a educação formal e com a educação de jovens e adultos de forma significativa na configuração que é oferecida hoje.
Aparece então um novo segmento da educação, que é a formação nas empresas.
Com isso acontece uma transformação na área empresarial e de serviços, pois hoje esse setor passa a necessitar da educação para seu próprio desenvolvimento.
Estudos realizados mostram que a Alemanha, o Japão e os Estados Unidos investem, na formação em serviço, quase metade do que destinam a toda a educação pública. Esta e a transição exigida pelo ritmo de transformações tecnológicas, representando uma nova era, que adquire peso equivalente à educação formal e atinge o mesmo universo social com o qual trabalhamos.
Outra área da educação não-formal que aparece com grande potencial e a da reorientação da TV e da mídia em geral. Nos Estados Unidos existem programas educacionais que são assistidos por milhões de pessoas, representando grande impacto cultural. Se considerarmos o número de horas por dia que uma criança despende assistindo a programas de TV, chegaríamos à conclusão de que os efeitos seriam significativos. Assim, aproveitar esse tempo com programação de qualidade, que traga conhecimentos àqueles que a assistem, certamente se faz necessário.
Os Vídeos e DVDs, vinculados às TVs, mas com conteúdos autônomos, também representam meios para trabalhar a educação.
Ocupam um espaço crescente os cursos técnicos especializados, como design, programação, cursos de apoio à criação de micro e pequenas empresas, etc.
Hoje também passa a interessar à educação a organização do espaço científico domiciliar, pois com o grande número de informações ampliadas nos últimos 50 anos, este é fundamental para trabalhar de forma organizada. Num passado nem tão remoto, tínhamos a mesa de estudos e os livros, para ser ajeitados na biblioteca; atualmente, ganham espaço os CDs , DVDs, vídeos, impressora, computador, etc. Além de configurar principalmente recursos de lazer, não podem deixar de ser considerados para aprimoramento da educação, de crianças e adultos, levando, quando bem utilizados, a um aproveitamento excelente no aprendizado.
Outro espaço que surge com força é o espaço do conhecimento comunitário. É um espaço trabalhado pelas ONGs de diversos tipos, organizações religiosas, entre outras. A urbanização forçou o aparecimento desses espaços de vida comunitária e cultural.
Está também em expansão a área de Pesquisa e Desenvolvimento, embora no Brasil ainda exista um distanciamento entre a academia (espaço acadêmico = faculdades, universidades), a empresa e a comunidade.
Com todas essas alternativas, será que ainda precisamos da educação formal?
Para responder a essa questão, precisamos entender que a educação formal e a de adultos deve ser a atividade central e organizadora, e não ser apresentada como o único eixo para a formação. A escola deve ser mais mobilizadora e organizadora de
um processo que deve envolver os pais, a comunidade, integrando, assim os diversos espaços educacionais e, principalmente, criando um ambiente cientifico e cultural que leve a ampliar suas opções de vida e reforce atitudes de formação do cidadão.


Fonte: GOHN, Maria da Glória. Educação Não-formal e cultura política. 2.ed. São Paulo: Cortez, 2001.

Nenhum comentário:

Postar um comentário