terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

A Mídia Como Suporte Para A Educação Não-Formal

Educação não-formal

É aprendida na vida, nos espaços e ações coletivas, o educador é aquele com quem interagimos, tem como objetivo capacitar os indivíduos para se tornar cidadãos do mundo, no mundo. Os objetivos se constroem no processo interativo.
Não é organizada por série, idade e conteúdo. Desenvolve laços de pertencimento.
Pode colaborar para o desenvolvimento da auto-estima. Fundamenta-se no critério de solidariedade, de interesses comuns.
Os resultados esperados são : Consciência e organização para agir em grupos coletivos; visão de mundo; sentimento de identidade; formar para a vida e não só capacitar para o trabalho; conhecimento de sua própria prática.

A educação e a comunicação nascem de necessidades humanas; são processos inseparáveis e a relação entre elas é bastante complexa. Existem educações, como existem múltiplas formas de comunicação. Elas não têm um fim em si mesmas, são um recurso, um meio, um instrumento. Sistematizar esses dois processos, construir programas e projetos nestas áreas só se justifica porque elas são inerentes ao processo de humanização. E como necessidade humana, elas podem ser exploradas tanto para a libertação como para a manipulação.
Essa multiplicidade dos meios de comunicação nos coloca imediatamente o tema da pluralidade dos meios de educação. O que importa, portanto, na educação, não é tanto melhorar um único meio de educar, aperfeiçoá-lo ao máximo. O que importa é colocar à disposição dos educandos uma multiplicidade de meios. São tão necessárias as bibliotecas, quanto as videotecas, os laboratórios, os panfletos, a televisão, o rádio, o vídeo, a Internet, o CD, o DVD, etc.
A escola se define pelas relações sociais que desenvolve. Todos precisam de escolas. Mas a escola não é um espaço físico. É, acima de tudo, um modo de ser, de ver, de entender as coisas do mundo.
A educação se dá quando se estabelecem relações, não quando se trocam objetos. E se ela quiser sobreviver como instituição, precisa buscar o que é específico dela.
Ivan Illich, no final da década de 60, anunciava o fim da escola, a “desescolarização da sociedade”, o fim do professor e o advento da aldeia global televisiva. No entanto, a escola, mesmo atacada, vem se fortalecendo no que ela tem de específico, que é a construção da cultura elaborada, incorporando as novas tecnologias e tirando proveito delas. Nesse sentido, as novas tecnologias fazem o papel de meio, de recurso.
Passar da cultura que já possui para uma cultura elaborada é o papel da escola, tanto com as crianças, quanto com jovens e s adultos. Esse seria um processo dialético no qual uma não eliminaria a outra, mas lhe acrescentaria uma explicação mais completa. A cultura primeira é a que adquirimos antes ou fora da escola, pela auto-formação não metódica e não sistemática, ou no que aprendemos como educação informal. Hoje em dia, as mídias, como são chamadas, ou os meios de comunicação social, sobretudo a televisão, têm uma influência marcante na primeira cultura, principalmente na infância. Naquela cultura que nasce da experiência da vida, que absorvemos sem perceber, movidos pela curiosidade, no dia-a-dia. Essa cultura é uma cultura popular, que hoje está profundamente impregnada pela cultura de massa. Sob muitos aspectos, a cultura popular se identifica hoje com a cultura de massa.
É preciso fazer uma leitura positiva da cultura de massa. Nós, educadores, não podemos ignorar, por exemplo, o quanto a criança aprende em frente a uma televisão ou ouvindo o rádio, fora dos horários escolares. A televisão introduz em nossas casas o mundo e nos liga instantaneamente a ele. Uma primeira leitura, e diga-se otimista, pode advogar que, diante de um aparelho de televisão, nossas crianças, em suas casas, sentem-se como se estivessem conectadas com o “mundo todo”; sentem-se como cidadãs do mundo, habitando numa aldeia global. Com o advento da Internet conectada à televisão, ambos esses meios ficaram ainda mais fortalecidos.
Através dos sentidos, a cultura de massa envolve o corpo inteiro, privilegia a imagem, o som, o movimento. É uma cultura envolvente, tão envolvente que quando morre o personagem de uma novela, nos sentimos como se tivesse morrido alguém da nossa família. A televisão, ainda tão pouco explorada em nossas escolas, além de tudo, traz satisfação para a criança.
É, acima de tudo, entretenimento. A cultura da televisão é uma cultura da satisfação, expressão do nosso tempo. Por isso é sempre bom lembrar que a criança, o jovem e o adulto desejam encontrar satisfação, alegria, também na escola.
A função do educador é a de denunciar os limites, de forma crítica e comprometida com os princípios da educação. Compete a eles e elas indagar sobre como a mídia nos mostra “o mundo”. Ou seria “um mundo”? Aquele que valoriza celebridades e busca nos tornar nichos de seus mercados? Hoje mais do que nunca a mídia molda nossas percepções sobre o mundo, e precisamos trazer esse debate para a sala de aula. Afinal, é sempre bom lembrar que o que as mídias nos mostram são mediações e não a realidade. São representações e não a verdade.
A televisão, ao esquematizar coisas e simplificar fenômenos, pode cair na mistificação e na banalização da cultura. Ela pode banalizar idéias e mitificar pessoas, e ficar muitas vezes nos estereótipos em relação, por exemplo, ao negro, ao judeu, ao operário, ao pobre. O poder subliminar da televisão é enorme.
Qualquer meio engana quando mostra, por exemplo, que o sucesso é fruto do acaso. Por isso, a televisão, que é indispensável na formação de todo cidadão e cidadã de hoje, deve ser acompanhada na educação por uma pedagogia da comunicação que a analise criticamente. Ela deve ser desmistificada pela escola e não substituir a escola, portanto fazer parte também do curriculum escolar.
A escola deve explorar mais os meios como o rádio, televisão, o vídeo, a Internet; não como acessórios, mas como instrumentos indispensáveis de trabalho. A escola não deve impedir o aluno e a aluna de assistir televisão, mas ensiná-los a assistir televisão com uma postura crítica.
A partir de uma perspectiva dialética, deve denunciar sim, mas também anunciar o uso dos meios como metodologia participativa na construção de conhecimentos, como resposta social à presença massiva da mídia em nossas vidas, como garantia da visibilidade da cultura popular e como garantia de vez e voz aos grupos que não têm acesso à produção industrial da cultura.
O vídeo apresenta uma série de possibilidades de intervenção. O vídeo didático tem vantagens sobre a televisão. Com o vídeo podemos fazer um intervalo para reflexão, podemos voltar atrás, podemos discutir o tema vendo o programa, etc. É possível partir do fragmento para se chegar à totalidade, mostrar que um fragmento da televisão - aquele flash - nos oferece uma satisfação primeira, e poderemos encontrar ainda mais satisfação na cultura elaborada. Esse é o papel sistematizador da educação.

Texto adaptado de Moacir Gadotti. Comunicação e Educação.

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